Fotos raras de celebridades

Tô há muito tempo sem aparecer por aqui, mas achei que isso valia a pena um post.

Aqui estão duas de minhas preferidas:

O resultado de 2009

Um ano inteiro por um TCC. E o resultado tá aí embaixo:

Pra quem tiver paciência, tem o texto completo para download aqui.

Avenida Q e o desafio de se adaptar um musical de comédia

Golden Theatre New York: tão pequeno e aconchegante quanto o Procópio Ferreira

Golden Theatre New York: tão pequeno e aconchegante quanto o Teatro Procópio Ferreira

Aqui estou eu de novo para falar do Avenida Q. Da última vez que escrevi, fui muito justa falando que a versão de “If you were gay” em português estava perfeita, e hoje, após assistir a todo o espetáculo em portugês, devo dizer que, na minha opinião, “se você for gay” é sem sombra de dúvidas a melhor música da peça. Um pouco injustamente eu disse que “It sucks to be me” perde sua graça quando vira “que merda que eu tô”. Não perde não… no começo causa um pouco de estranhamento para quem conhece a versão americana, mas ao final da música, quanto todo o elenco já está reunido cantarolando “na merda e feliiiiiiiiz, na mesma merda e feliiiiiiiz, até o nariz…”, você já foi totalmente conquistado! E basta olhar para o público nessa hora, pra perceber que grande parte dele havia ido ao teatro despreparado para o que estava acontecendo, assim como da primeira vez que você foi e achava que sabia exatamente o que estava te esperando.

A coisa mais bonita de Avenue Q, e agora de Avenida Q, é que uma hora as pessoas desistem de tirar o sorriso do rosto, porque simplesmente não vale a pena… Se logo você vai ter que gargalhar de novo, por que não assistir a todo o espetáculo sorrindo? E você nem percebe, mas seu sorriso no rosto tá lá presente, durante toda a peça.

 Na Broadway, eu olhava para o ator que movimentava o Princeton, e ele era demais, eu não conseguia entender como ator e boneco podiam se fundir de maneira tão forte. No Procópio Ferreira, eu vi o André Dias, ator que até então eu desconhecia, com os mesmos olhos arregalados do boneco ao seu lado, com uma interpretação pessoal do personagem que diferia em muito do que eu havia visto na versão americana. Mas quanta expressão, tão bom quanto, devo dizer.

Não me interessou o fato do Rod ser uma bixa muuuuito menos enrustida que a original, nem da Japaneusa ter ganhado uma versão bem mais enfezada. Gary Coleman continuou Gary Coleman, muita gente não deve ter entendido quem ele é, mas depois de um tempo, pouco importa. Tá todo mundo dando risada das comparações com celebridades brasileiras. E que voz tem o Gary brasileiro! Melhor cantor do musical, na minha opinião. Os Ursinhos do Mal são muito bons, a namorada do Rod continua morando no Canadá (outra ótima adaptação de música) e o Treckie continua tirando gargalhadas de todos. Aliás, Fred Silveira também merece elogios: as vozes mais fiéis à versão original, uma energia ótima, cativante!

E eu podia ficar aqui falando, falando e falando. Mas vou me abster de qualquer comentário a mais para dizer que fazer uma adaptação de um musical como Avenida Q é muito mais desafiador do que a adaptação de um drama, por exemplo. Drama é drama em qualquer lugar do mundo. Os assuntos tratados em um Fantasma da Ópera, ou num Miss Saigon, são universais (não querendo desmerecer as adaptações desses musicais, que são espetaculares!). Comédia é diferente, é algo muito particular. Tem piada de americano que não vai adiantar traduzir, porque brasileiro não vai rir e ponto final! E neste ponto, eu devo dizer que Avenida Q conseguiu superar esse desafio muito bem. Eu fui, e volto pra acompanhar quem mais se interessar em conhecer o musical. Tá dada a dica!

Woodstock 40 anos: culto à liberdade ou culto à celebridade?

Jimi Hendrix em Woodstock

Há exatos 40 anos, Woodstock, o festival de música considerado símbolo do movimento hippie e da liberdade em todas as suas variantes, chegava ao seu fim. Apesar de alguns estudiosos considerarem o alarde por figuras como Elvis e Beatles como uma primeira revolução da juventude, eu não acredito que o que aconteceu entre fins da década de 50 e início de 60 tenha realmente sido uma revolução. Não teve transgressão nenhuma, tudo correu à melhor moda mídia: fãs enlouquecidas digerindo uma enormidade de informações que lhes eram oferecidas sem cessar através da TV, rádio, revistas, etc. A importância dessas figuras para suas fãs não deve ser contestado, porém é fato que Beatles e Elvis são produtos de um momento histórico marcado por uma euforia consumista sem precedentes. Já o período que segue, este sim, no meu ponto de vista, pode ser considerado de alguma forma revolucionário.

Todo período de euforia é sempre seguido pelo momento de reflexão. O ano de 1965 marcou a entrada dos EUA na Guerra do Vietnã, e as imagens do confronto se alastraram pelo mundo através da mídia de massa. A corrida armamentista confirmava o clima de tensão. Tais fatos não desencadearam o movimento contracultural de forma direta, mas foram os estopins que alastraram entre a juventude um ideal de não-violência que será a bandeira do movimento hippie e tema de diversos movimentos culturais que acontecerão, inclusive na música. Luiz Carlos Maciel, no livro “Por que não? Rupturas e continuidades da contracultura”, afirma que o propósito do movimento contracultural era:

“Ver as coisas com esse olhar inocente, esse primeiro olhar, ver diretamente as coisas, ver sem mediações intelectuais estabelecidas e consagradas, seja pela academia, seja pela mídia, seja por qualquer um desses monstros por aí que dirigem as nossas vidas. A experiência imediata e a experiência concreta do real foram o grande objetivo da contracultura; não foi a transgressão, que é mera coincidência.”

Assim como a resposta a uma antiga euforia jovem foi o surgimento na arena pública de celebridades que de alguma maneira atendiam às necessidades e anseios desse público, com os ventos da contracultura surgiram logo figuras que representavam publicamente esses ideais. Os próprios Beatles, antes motivo de euforia feminina em apresentações nas quais os gritos de histeria eram mais audíveis do que a própria música, foram aos poucos mudando, e as influências contraculturais passaram a ser cada vez mais perceptíveis em suas obras e em seu visual. Porém, a cara da celebridade jovem do final dos anos 60 e início dos anos 70 era outra. O ídolo tradicional do rock da década de 1960 era uma figura sexualmente coerente de rebeldia: Jimi Hendix, Jim Morison, Janis Joplin… Estes músicos buscavam na composição de suas músicas e na sua apresentação pública algo muito parecido com os ideais da época: uma total liberdade de criação, desvinculado de qualquer padrão estético anterior.

Apesar da forte crítica às instituições atuais e à mídia, esta teve importância fundamental na difusão dos valores da contracultura. E apesar do ideal de enxergar sem as mediações estabelecidas pela mesma, grande parte dos jovens que foram aos poucos se juntando a esses novos ideais, vieram através dessas mesmas mediações. Woodstock foi o símbolo da contracultura dos anos 60, mas foi também uma prova da influência exercida pelas celebridades que figuravam na indústria fonográfica da época. Não seria plausível que, no contexto da contracultura, o culto à celebridade fosse abolido? Porém, a realidade não foi essa. Programado para ser um festival de música de médias proporções, Woodstock recebeu 500 mil pessoas, sete vezes mais do que o previsto. O festival foi um culto à paz, à liberdade individual, sexual, artística, mas sem nunca deixar de ser culto à celebridade. Isso porque toda época tem seus heróis, e a contracultura encontrou na música, e em alguns intérpretes em particular, a representação de seus ideais que se faziam visíveis ao mundo todo.

Avenue Q em São Paulo

Há algum tempoa atrás, se eu dissesse que havia desistido de assistir a Chicago, na Broadway, para ver Avenue Q, provavelmente muitos não entenderiam o porquê… “é só um teatrinho de bonecos, qual a graça?”… É na esperança de ser entendida que eu indico, para qualquer um que me pergunte isso: “Vá assistir!”. Estréia dia 14 em São Paulo a versão brasileira do musical, e pelo pouco que eu vi, vai ser muito divertida também… É natural que a tradução de algumas músicas deixem escapar coisas engraçadas da versão americana (por exemplo, traduzir “It sucks to be me” para “que merda que eu tô”), mas os diretores prometem uma adaptação com referências brasileiras, ao mesmo tempo que tentaram manter a fidelidade das principais músicas da peça… Segue abaixo uma das que eu mais gosto, “I you were gay”, que virou “Se você for gay”…

Versão americana:

Versão brasileira:

O musical estará em cartaz no Teatro Cornélio Procópio, em São Paulo, de 14 de agosto a 1 de novembro. Mais informações no site.

United States of Eurasia: plágio ou não, quem se importa?

Eu não me importo. A estética da música tem forte semelhança com Queen, não há como negar, mas tem um jeito todo Muse de ser também, e pessoalmente, eu amei.

A divulgação da música também foi interessante, com pen drives espalhadas vor diversas cidades do mundo, cada uma com um código que liberava parte da música no site da banda.

O que rolou na sessão de abertura do Anima Mundi

Esse post é só prá dividir o que pôde ser visto na sessão de abertura do Anima Mundi São Paulo: o que já foi visto no Rio e o que está rolando agora na capital paulista.

Primeiro, o Francês Dix. O curta fala sobre um homem que enfrenta um tratamento para seu Transtorno Obsessivo Compulsivo. As confissões dos dramas mentais da personagem são apresentados de forma dramática e forte.

Outra produção francesa, French Roast é encantador. Mostra a situação de um elegante executivo em um café parisiense, quando este percebe que perdeu a carteira. Sem saber o que fazer e com medo se ser franco com o garçon, ele decide pedir mais café.

O japonês Jam, na minha humilde opinião de quem não entende aquelas coisas de animação, é uma grande viagem, que segundo o mestre de cerimônias da sessão, necessita de altas doses de ácido prá ser entendido:

Com certeza, os mais divertidos foram os 4 episódios do húngaro Log Jam. Confira abaixo o episódio “The rain”, sem mais comentários:

Amanhã coloco mais alguns vídeos…

As celebridades de Chris Rojek

Chris Rojek - CelebridadesPor hora, não há muito o que falar do livro, uma vez que ainda não o li. Na mesma semana, recebi a reportagem do The Guardian de um amigo e li uma reportagem na Istoé sobre a obra do sociólogo inglês Chis Rojek, e a curiosidade foi tanta que já estou com o livro comprado. Deixo os elogios ou críticas para quando terminar de ler, mas não ia conseguir esperar para postar pelo menos a dica. Afinal, bom ou ruim, a gente carece muito de bibliografias sobre isso. E quando aparece alguém disposto a estudar a respeito, já é digno de atenção.

Bibliografias úteis sobre celebridades

Já havia recebido uma mensagem e alguns e-mails perguntando sobre bibliografias sobre celebridades. Por isso, resolvi fazer um post com algumas sugestões. É muito fácil acharmos que sabemos tudo sobre o assunto simplesmente porque estamos rodeados por celebridades, semi-selebridades e pseudo-celebridades por todos os lados, e porque estamos presenciando ao vivo e a cores a uma mudança radical na maneira como as pessoas enxergam esse fenômeno. Mas dar uma olhada no passado me fez entender muito melhor o que está acontecendo hoje… Sobre o hoje, podemos falar num outro dia, por hoje só gostaria de listar algumas obras importantes no assunto.

Para entender sobre mídia/cultura de massa:

John B. Thompson: A mídia e a ModernidadeTítulo: A mídia e a Modernidade
Autor: John B. Thompson
Descrição: O livro é uma grande apanhado sobre a mídia de massa. O autor possui uma linguagem simples e direta e aborta os mais diversos assuntos, falando desde estrutura envolvida nesse tipo de comunicação até as alterações das novas tecnologias sobre a percepção do indivíduo (forte influência de McLuhan) e suas relações com a tradição. O autor acredita que os meios de comunicação, e as celebridades como consequência, são fatores importantes na atual formação do self do indivíduo.

 

Edgar Morin: Cultura de massas do século XXTítulo: Cultura de Massas do Século XX
Autor: Edgar Morin
Descrição: Um clássico. Achei uma pena não ter lido no meu primeiro ano de faculdade. O livro, assim como o anterior, também é bem genérico e aborda superficialmente diversos temas. É bom pelas conceituações, pela explicação do modelo industrial pelas quais passam as produções da cultura de massa e pelo paralelo feito com a literatura. Nunca havia lido nenhum autor que conseguisse explicar tão claramente essa passagem da cultura escrita para a eletrônica, salientando o que uma deixou de herança para a outra. Já traz uma introdução sobre celebridades e as trocas afetivas que ocorre entre ela e os fãs. Não leia como uma bíblia, mas sim com uma certa visão crítica.

 

Um pouco de teoria com bastante história:

Nicolau Sevcenko - A corrida para o séc XXITítulo: A corrida para o século XXI – No loop da montanha-russa
Autor: Nicolau Sevcenko (atualmente professor de história da cultura na USP)
Descrição: O autor analisa os desenvolvimentos técnológicos do século XX e a passagem para o século XXI sob diversos pontos de vista: econômico, social, ambiental e como um fator de alteração das percepções humanas. É uma boa fonte de referência histórica.

 

Gilles Lipovetsky: O Império do EfêmeroTítulo: O Império do Efêmero
Autor: Gilles Lipovetsky
Descrição: Por que um livro sobre moda? Porque segundo o autor, os fatores que definem o fenômeno da moda hoje estão consumados na nossa vida cotidiana: o efêmero, a sedução, a necessidade de diferenciar-se. As estrelas e ídolos não fogem à regra. E o livro é gostosíssimo de ler, o que é mais importante.

 

Sobre estrelas de cinema:

Edgar Morin: As Estrelas

Título: As Estrelas: Mito e Sedução no Cinema
Autor: Edgar Morin
Descrição: Minha impressão é que o Morin devia ser um apaixonado por cinema. Foi um dos primeiros caras a dar atenção à figura da celebridade ao ponto de escrever um livro inteiro sobre elas. E o livro é importantíssimo, porque nós que vivemos em um mundo de celebridades cada vez mais degradadas não fazemos a mínima idéia do quão elas eram valorizadas no passado. O cinema surgiu e se desenvolveu por 15 anos sem que uma celebridade sequer existisse. A partir de que momento e por que elas passaram a existir, é a grande contribuição do livro.

 

A quem se interessar, boa leitura! Assim que tiver outras sugestões, coloco aqui. E como eu também tô na luta, estou aceitando sugestões também!

Ai, se todos os fãs fossem como esse…

Ouvi falar desse filme e fiquei curiosa. The Fan, de 1981, estreou nos cinemas um ano depois do assassinato de John Lennon, e conta a história de um fã vestido de todos os estereótipos possíveis da época. Logo fui pesquisar no Youtube.

Abertura muito boa. A trilha sonora se encaixa perfeitamente. E mesmo sem ver mais nada do filme, uma simples cena de um fã digitando uma carta na máquina de escrever já me meteu um certo medo. Vale a pena ver até os 4 minutos, que é quando a abertura acaba.

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