
Golden Theatre New York: tão pequeno e aconchegante quanto o Teatro Procópio Ferreira
Aqui estou eu de novo para falar do Avenida Q. Da última vez que escrevi, fui muito justa falando que a versão de “If you were gay” em português estava perfeita, e hoje, após assistir a todo o espetáculo em portugês, devo dizer que, na minha opinião, “se você for gay” é sem sombra de dúvidas a melhor música da peça. Um pouco injustamente eu disse que “It sucks to be me” perde sua graça quando vira “que merda que eu tô”. Não perde não… no começo causa um pouco de estranhamento para quem conhece a versão americana, mas ao final da música, quanto todo o elenco já está reunido cantarolando “na merda e feliiiiiiiiz, na mesma merda e feliiiiiiiz, até o nariz…”, você já foi totalmente conquistado! E basta olhar para o público nessa hora, pra perceber que grande parte dele havia ido ao teatro despreparado para o que estava acontecendo, assim como da primeira vez que você foi e achava que sabia exatamente o que estava te esperando.
A coisa mais bonita de Avenue Q, e agora de Avenida Q, é que uma hora as pessoas desistem de tirar o sorriso do rosto, porque simplesmente não vale a pena… Se logo você vai ter que gargalhar de novo, por que não assistir a todo o espetáculo sorrindo? E você nem percebe, mas seu sorriso no rosto tá lá presente, durante toda a peça.
Na Broadway, eu olhava para o ator que movimentava o Princeton, e ele era demais, eu não conseguia entender como ator e boneco podiam se fundir de maneira tão forte. No Procópio Ferreira, eu vi o André Dias, ator que até então eu desconhecia, com os mesmos olhos arregalados do boneco ao seu lado, com uma interpretação pessoal do personagem que diferia em muito do que eu havia visto na versão americana. Mas quanta expressão, tão bom quanto, devo dizer.
Não me interessou o fato do Rod ser uma bixa muuuuito menos enrustida que a original, nem da Japaneusa ter ganhado uma versão bem mais enfezada. Gary Coleman continuou Gary Coleman, muita gente não deve ter entendido quem ele é, mas depois de um tempo, pouco importa. Tá todo mundo dando risada das comparações com celebridades brasileiras. E que voz tem o Gary brasileiro! Melhor cantor do musical, na minha opinião. Os Ursinhos do Mal são muito bons, a namorada do Rod continua morando no Canadá (outra ótima adaptação de música) e o Treckie continua tirando gargalhadas de todos. Aliás, Fred Silveira também merece elogios: as vozes mais fiéis à versão original, uma energia ótima, cativante!
E eu podia ficar aqui falando, falando e falando. Mas vou me abster de qualquer comentário a mais para dizer que fazer uma adaptação de um musical como Avenida Q é muito mais desafiador do que a adaptação de um drama, por exemplo. Drama é drama em qualquer lugar do mundo. Os assuntos tratados em um Fantasma da Ópera, ou num Miss Saigon, são universais (não querendo desmerecer as adaptações desses musicais, que são espetaculares!). Comédia é diferente, é algo muito particular. Tem piada de americano que não vai adiantar traduzir, porque brasileiro não vai rir e ponto final! E neste ponto, eu devo dizer que Avenida Q conseguiu superar esse desafio muito bem. Eu fui, e volto pra acompanhar quem mais se interessar em conhecer o musical. Tá dada a dica!






